- Olá Burro
- Unicórnio.
- O que está levando nestes cestos?
- Milho para fazer fubá no moinho.
- E está pesado?
- Claro que sim.
- Pois não poderiam lhe dar outro nome, pois você é mesmo
um burro. Fica aí o dia inteiro carregando peso para lá e para cá. Já eu sou um
unicórnio, sou um ser mágico, os humanos acreditam até que eu sou um deus.
- Eu de burro só tenho o nome. Sou muito esperto se você
quer saber. Eu trabalho todo o dia porque se não, não tenho comida. E seu poder
mágico, sua majestade, como você bem sabe está somente no seu chifre. Sem isso
você é como eu.
- Hora não me insulte. Você não passa de um asno! Acha
que sabe algo sobre um ser divino?
- Sim, eu já fui como você. Um cavalo alado, branco, que
voava solto pelos ares. Até que um dia vi uma menina caída numa estrada, desci
do céu para ajudá-la. Quando um bando de humanos me capturou. Tive meu chifre
arrancando, perdi minhas asas mágicas, minha cor resplandecente... Tudo que me
sobrou foi esta pobre carcaça de burro como você pode ver.
- Por isso és um asno! Um ser divino nunca deve chegar
perto de um humano. O humano é mesquinho, só pensa no próprio bem estar. Um
chifre de unicórnio vale muito ouro para eles.
- Antes de tirar conclusões ouça o resto da história.
Depois de Ter meu
chifre arrancado fiquei vagando pelo mundo até encontrar uma aldeia, onde todos
estavam em festa. Perguntei
a um cavalo o que se passava ali.
Ele disse:
- Hora amigo burro. A filha de um homem estava à beira da
morte. Por sorte eles conseguiram um chifre de unicórnio e com seu poder
salvaram-lhe a vida.
No mesmo momento que uma menina de veio
correndo até mim.
- Você é um unicórnio?
- Não menininha eu já fui um unicórnio, um pegasus alado!
Que perdeu sua majestade, agora não passo de um burro velho e cansado.
- Você é um unicórnio! Você salvou minha vida. Papai me contou.
- Você é um unicórnio! Você salvou minha vida. Papai me contou.
Um homem se
aproximou
- Oh meu amigo... Há dias eu estava a sua procura.
- Você? Para que? Para terminar o que começou? Para
tirar-me mais o que?
- NÃO, DE MANEIRA ALGUMA! Eu estou arrependido do que fiz, por isso quero lhe oferecer minha vida em
troca do que bem que você me deu. Por sua causa minha filha está a salvo,
somente o seu chifre tinha o poder de livrá-la da morte.
- Sua vida não me serve de nada. O que já está feito não
tem volta. Estou condenado a viver deste jeito até o fim dos meus dias. Rogo
para que não aconteça o mesmo a ti como castigo dos deuses.
- Mas deixe-me ao menos fazer algo para...
- Humano não há nada que você possa fazer.
Mesmo assim eu recusei qualquer coisa vinda daquela gente e continuei a vagar sem rumo por dias, meses, anos, até que de tanta fome e cansaço caí no meio de uma estrada.
Fui encontrado por uma jovem que me levou para sua fazenda, me cuidou e me tratou, tive aquela mesma sensação, aquele calor, vindo de um humano. O que eu jamais havia sentido como ser divino.
- E o que é essa sensação? Asno.
- Carinho.
Como ser divino eu
só sentia medo e cobiça por onde passava. E quando fui destituído do meu
pedestal pude viver livre, conhecer coisas novas, viver em paz.
- Mas agora você tem que comer, dormir e por fim agora és
mortal!
- Posso ter o prazer de comer, o prazer de sonhar e
quando eu morrer, não sei. Mas ganhei uma coisa que ninguém pode me tirar.
- Já lhe tiraram a divindade, o que mais lhe resta burro?
- Conhecimento. Diferente dos dias como unicórnio que
eram todos iguais, agora cada dia eu aprendo uma coisa nova, agora tenho
amigos, não preciso fugir e me esconder nas nuvens, agora que estou condenado à
morte pude conhecer a vida. Chega a ser irônico.
- És um louco, isso sim.
- E me resta outra
saída?
...
O unicórnio vendo o
burro ir embora, por um momento olhou para cima como que tentando ver seu próprio
chifre. Pensou algo.
- Puf!
Deu as costas e
sai voando.
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