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sexta-feira, 1 de julho de 2016

A vida

A vida

A vida lhe foi dada
Não foi cedida
Emprestada
Vendida
Alugada
Foi dada

Como um presente

Não importa como
Não importa por quem
Ela é sua
E de mais ninguém

Por isso

Não deixe que a tomem de você com tanta facilidade
Não deixe que ela se consuma em vícios
No tempo perdido do trabalho inútil
Ou no percurso até em casa
Nos amores não correspondidos
Nas filas dos bancos
Nos sonhos esquecidos

A vida

A vida é mais do que isso!

A vida é grande!

Porém...
ao mesmo tempo
A vida... É tão simples
Que escorrega por entre os dedos
E se perde com facilidade

Então os outros a pegam do chão
Usam
Pisam
Comem
Consomem
Cospem
Estragam
Na maior facilidade
Mas não se engane

Ela é sua

Então tome a de volta
Mesmo que tenha que rouba-la!

No começo pode ser difícil
Mas tente
Ela é sua
Por direito

E quando a tiver de volta em suas mãos

Segure-a forte contra o peito e
Use-a
Engrandeça-a
Faça dela o palco para os seus sonhos mais loucos
Usufrua dela até a ultima e suculenta gota você mesmo
Sem arrependimentos
Porque ela deve ser sua


E de mais ninguém.


domingo, 1 de maio de 2016

Conselhos masculinos para conquistar os brotinhos

 Todo cara quando fica meio boladinho de amor costuma se abrir com um amigo. Fato que geralmente acaba com uma recomendação simples (e que resolve praticamente tudo na vida de um homem) que é:
 - Para de viadagem!
 Não levando pro lado homofóbico da coisa, porque acredito que até os caras gays usem esse termo ou tenham algum similar, como “para de frescura” “da logo bicha” e por aí vai.
 Quando não, temos a velha lista de conselhos masculinos que prometem funcionar com qualquer garota. Tipo aqueles caras que ensinam os virgens a chegar nas meninas em balada e cobram uma nota por isso.

 Os mais comuns são:

 - É só chegar junto.

 Bom, esse funciona. Apesar que até eu teria medo de um cara chegando perto de mim puxando assunto, principalmente quando é do nada. Tipo em ponto de ônibus depois de dez da noite.
 Então sempre certifique-se que a situação é propensa a ela não achar que você é um tipo de maníaco. E também tente não se parecer com um... Mesmo que você seja.

 - Ce tem que chegar dando idéia.

 - Dando idéia?
 - É tipo “e ai posso te conhecer?” Tava te olhando dali de longe e vi você sozinha... Ta afim de conversar um pouco? Tipo essas coisas.
 Pensando bem esse até que funciona, é um jeito cordial de conhecer alguém. Apesar de que por anos eu achar o termo “dar idéia” um tanto subjetivo.
 - Dar idéia? Que porra é essa? Tipo puxar assunto? Mas do que mulher fala? Será que ela também assiste a usurpadora?
 ...
 - Oi, você assiste a usurpadora?
 - Eu? Nossa não perco um capitulo! Você assiste?
 - Opa, sou fã! Diz aí se aquela Paola Bracho não é uma vagaunda?
 - Aí nem me fala. E aquele trouxa do Carlos Emanuel correndo atrás dela feito tonto.
 Passado um bom quarto de hora.
 - Então ce não ta afim de comer alguma coisa, ir pra outro lugar...
 - Pêra ae, você não é viado?
 - Eu o que?!

 Sexo pago sai mais barato que grátis.

 - Oi.
 - Oi.
 - Como funciona?
 - O programa é 100 a hora e você paga o motel. Aqui perto tem um que é baratinho.
 Cem por hora da mais ou menos 1,66 por minuto... Vezes 10 ou 15 minutos... 25 reais?
 - É... Eu tenho que pagar a hora inteira ou só o que o eu consumir? Tipo restaurante por quilo.
 - Tem que pagar a hora cheia meu bem. Tipo restaurante fino!
 - Então vale alimentação nem pensar... Estudante paga meia?

  Você não pode ficar sem assunto. Tente ler bastante, se informar, falar coisas interessantes...

 - Oi. Você sabia que as pessoas costumam ofender e esnobar a pessoa de quem elas gostam para dar a entender e esconder dos demais seus verdadeiros sentimentos?
 - Que ce ta xavecando minha mina aí seu otário. Sai fora seu cuzão!
 - É... Acho que seu namorado ta afim de mim.

 Faz um draminha, mulher adora dar colo.

 - Oi gatinha, eu tenho câncer terminal.
 - Não passa isso pra mim filho da puta!

 Fale sobre seus sonhos!

 - Meu sonho é uma viagem para o caribe. Já pensou? Ficar um mês inteiro lá! E qual é o seu sonho?
 - Eu queria comer você e sua amiga ali junto... É... Digo, eu queria ir pra lua, não seria o máximo ver a terra do espaço, deve ser muito massa né? Desde de criança que sempre quis ser astronauta!

 Fale sobre trabalho.

 - Eu trabalho em laboratório.
 - Nossa que interessante.
 - É. Eu sou responsável pelos exames de fezes. Você não imagina o que da pra descobrir sobre uma pessoa só examinando o cocô dela...
 - Aí que nojo!
 - Da até pra descobrir o signo.
 - Sério?
 - É.
 - É... Tipo assim... É sério mesmo?

 Minta.

 - Eu não sou só mais desses otários que esta só afim de te pegar eu só quero ser seu amigo.

 Seja sincero.

 - É verdade!

SEJA SINCERO!

 - Ta bom é mentira. Eu te amei todos esses anos em segredo, sempre te desejei e te quis como mulher! Você é o amor da minha vida! Quer namorar comigo?!
 - Poxa, eu também gosto muito de você. Mas é como amigo...
 - Ta vendo! É por isso que eu fiquei quieto! Lá no fundo eu já sabia a resposta! Mas não, tem que dar uma de macho e querer ir pra cima! Vai se ferrar sociedade machista opressora!
 - Já acabou a ceninha?
 - Ta bom parei.
 - Quer andar a toa?

 - Bóra.

Cique

 O lobo seguia pela floresta a caminho de casa quando se deparou com uma festa de porcos a beira da estrada.
 Os porcos estavam de terno e suas senhoras porcas gordas e nojentas estavam vestidas a rigor. 
 Todos estavam em volta de uma longa e farta mesa com tantas comidas variadas que o lobo nunca viu na vida.
- Vejam como somos poderosos! Hahaha! – Eles riam.
- Somos a elite! Hahahaha!
 Eles diziam entre um bocado e outro chafurdando o focinho grande nos pratos fartos.
 A festa ficava bem no caminho do lobo.
 A estrada, bem como todo entorno dela são de uso comum a todos os animais.
 Até mesmo o temido lobo sabia e respeitava essa regra e por isso sabia que deviam lhe respeitar os direitos também.
 Por isso seguiu o caminho adentrando a festa sem pensar duas vezes, porém adentrou cabisbaixo para não assustar ou não incomodar ninguém.
 Os porcos estavam tão ocupados em se vangloriarem uns para os outros de suas posses e poder sem limites  que nem notaram a presença do lobo cinzento em meio a festa.
 Isso até o lobo que movido mais pela curiosidade que pela fome se arriscar em dar um bocado em um dos petiscos exóticos que caiu do prato de um dos glutões perto dele.
 Mau engoliu o petisco com um gosto estranho e seus ouvidos foram irritados por um latido estridente de um pequeno chiwawa de coleirinha latindo a plenos pulmões.
- Você não pode ficar aqui! Saia! Saia agora! Essa festa é dos meus patrões! Os poderosos e sublimes porcos!
 O lobo olhou para ele com ódio, mas acatou a decisão, afinal ele não queria encrenca.
 Seguiu pela festa em direção a saída que ia dar em seu caminho de casa.
 O chiwawa latia cada vez mais alto com seu latido estridente e irritante!
 - Fora! Fora! Fora! Essa festa é dos meus senhores!
 O lobo olhou para trás com o olhar ainda mais colérico.
 O chiwawa estava escoltado por dois ursos robustos e presunçosos fardados de policiais.
 O lobo então virou-se para a frente e seguiu a até sair da “festinha” dos porcos.
 - Ei! – o lobo gritou para o chiwawa na saida - Esqueci de devolver uma coisa!
  E vomitou o pestico que havia comido do chão.
- Eu não preciso dos seus restos, tenho comida muito melhor e limpa na minha casa!
 O chiwawa esganiçava e latia até quase ter um infarto de tanto gritar.
- FORA! FORA! FORA!
 O lobo seguiu seu caminho.
 No dia seguinte o lobo passou pelo mesmo lugar a caminho da cidade.
 Viu no chão a imundice e o lixo da festa do dia anterior.
 Sentiu nojo.

 Mas sentiu mais nojo ainda quando viu quem entre os restos o chiwawa juntava restos de comida em um saquinho para levar para casa.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Valdir Pereira vai a feira

 O sol nem saiu ainda e os caminhões mercedez carregados de caixotes começam a chegar com seu ronco rompendo o silencio da madrugada.
 Então sol nasce e aquece a manhã de domingo.
 Aos poucos as pessoas despertam.
 Celso como todos os domingos de manhã pega a sacola e vai a feira cumprir seu ritual, comprar frutas, verduras e depois tomar um suculento caldo de cana.
 - Mas que laranja doce!
 - Olha essa melancia!
 Dentre os gritos dos feirantes ele vai enchendo a sacola.
 Já com a sacola cheia ele sobe a rua.
 A japonesa do caldo de cana o recebe com a simpatia de sempre.
  - Bom dia, com limão, puro ou abacaxi?
- Bom dia, me vê um grande, puro.
 Apreciava cada gota do doce néctar com satisfação até que o copo ficou vazio.
 Empunhou sua sacola e foi para casa.
 ...
 Durante o almoço Celso passava a mão na barba cerrada constantemente enquanto olhava para o nada. Parecia agoniado.
- Ta tudo bem Celso? – Indagou Silvana, sua mulher.
- Hum? Sim, sim.
 Sua barba coçava mais que o normal.
 - Seu rosto ta vermelho... Ta com alguma alergia?
 - Deve ser essa barba ta coçando feito sarna.
- Também, você faz de qualquer jeito, não passa nem um creme de vez em quando.
 A mulher odiava aquela cara áspera arranhando ela na hora dos beijos e das caricias, e vendo uma boa oportunidade não hesitou.
 - Sabe amor, porque você não tira essa barba... E aí eu te dou um presentinho em troca... – Disse lançando um olhar e um sorriso que davam muito bem a entender o que seria o “presentinho”.
 Celso se animou, afinal fazia tempo que a patroa andava meio distante.
 E mais tarde depois do almoço, os dois estavam sozinhos em casa assistindo filme ruim na televisão...
 - Amor vou tomar um banho. – Disse se espreguiçando.
 - Vai lá, ursão. – Retrucou ela em tom de brincadeira e dando um tapa na bunda dele. – Se você se comportar bem eu posso até interromper você.
 - Nossa, como eu ia ficar chateado. – Ele respondeu de forma irônica.
 Os dois riram.
 Essa era a deixa, ele correu animado para o banheiro já pensando todo o tipo de sacanagem, até que adentrou e se deparou com o espelho.
 Ficou olhando uns bons segundos admirando sua característica barba. Se sentia incomodado com a coceira, mas outra sensação também tomou conta dele naquele momento, uma repentina aversão a pelos. Abriu o armarinho do banheiro pegou o barbeador e com um sorriso no rosto espalhou creme de barbear pela cara.
 Cada passada do barbeador no rosto lhe dava um alivio sem tamanho por estar se livrando dos pelos na cara.
 Quando terminou seu rosto estava liso como bumbum de nenê. Mas algo ainda lhe incomodava. Seus cabelos castanhos e crespos que cobriam sua cabeça.
 Recobriu a cabeça com espuma e em algumas passadas estava careca como o Lex Luthor.
 Estava aliviado, mas ainda não se dava por satisfeito.
 Seu peitoral também era recoberto de pelo como um casaco felpudo. Se ensaboou e se depilou com a maior felicidade do mundo como nunca se vira naquele homem.
 E assim se sucederam as costas, as pernas e todo o resto até finalizar com os cílios que ele arrancou um por um com uma pinça da esposa.
 Terminado o filme, a mulher se levantou e resolveu conferir se o marido ainda estava na ducha.
 Quando chegou na porta do banheiro se deparou com Celso nu, com sangue escorrendo dos cortes pelo corpo todo, completamente despelado e com um sorriso digno de ganhador de loteria na cara.
 - Celso! Que...Que...Que MERDA É ESSA!?
 Ele olhou para ela por alguns segundo em silencio e sorrindo mostrou o barbeador em punho.
 - Você vai ficar linda!
  Avançou para cima da mulher que gritou em pânico.
 Horas depois a policia chamada pelos vizinhos arromba a casa e a encontra Silvana desacordada com um machucado na cabeça da pancada, completamente nua e  despelada.
 Seu cabelos lisos e pretos se foram.
 Tempos depois ela descobriria que eles nunca mais cresceriam, bem como o resto dos pelos de seu corpo.
 Celso está foragido até hoje.
...
 Porém existem varias lendas de um sujeito despelado que anda por aí atacando qualquer ser vivo e arrancando-lhe os pelos... Para sempre.
 O que explica a calvície de muitos homens.
 Alguns o chamam de o despelador.
 Mas o que poucos sabem, é que acausa da desgraça desse sujeito foi caldo de cana contaminado com um vírus raro que é transmitido pelas fezes do terrível besouro barbeiro.
 Se ele soubesse que o limão é um truque antigo para acabar com esse vírus nunca teria tomado caldo de cana puro.
 - E é por isso hoje eu vou ficar só no pastel – disse Valdir Pereira – Enchendo o pastel com vinagrete.
 Sem se dar conta que aquilo também era um veneno.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Facebruto

 Dizem que o facebruto é coisa pra curiar a vida alheia
 E é.
 E isso é um prato cheio para o narcisismo.
 Na vida somos como atores interpretando em um grande palco. E ter uma dezena de seguidores é como ter uma platéia para assistir o espetáculo.
 - 3000 mil amigos? Meu Deus como eu sou importante!
 3000 mil amigos cuidando da própria vida e uns três no máximo que realmente se importam com o glorioso showzinho da sua vida cotidiana.
 Redes sociais são uma alegoria do mundo real (afinal não criamos nada do zero) ter um perfil no facebruto, instragando, é como ter seu palquinho virtual. Nos torna celebridades do cotidiano. Da aquela sensação que somos tão importantes. Talvez por isso essa necessidade de todos dizerem alguma coisa o tempo todo.
 Mas ao passo que todo mundo diz tudo o tempo todo ninguém escuta nada.
 É tanta informação, ficamos o tempo todo postando conteúdo e curtindo o showzinho no palco ao lado que não temos tempo de ser platéia, ou ser roteirista, ou ensaiar, ou simplesmente ficar quieto. Existe uma necessidade quase obsessiva de dizer/mostrar alguma coisa sempre que possível.
 A prova disso?
 Tira o botão like e o de compartilhar para ver no que dá.
 Só de dificultar em 5 segundos o processo de uma postagem nos faria pensar se o que estamos fazendo é realmente útil. Tem uma meia dúzia que faz as montagem de frase mais foto e resto do mundo curte e compartilha e só propaga o discurso alheio como sendo dele.
 O like e compartilhar na maioria das vezes são apertados no impulso. Em uma coisa que nos interessou ali por um instante e daqui dois minutos a gente já nem lembra o que era.
 O facebruto é uma cópia do mundo real, agora imaginemos o contrário.
 Uma pessoa da lugar a um idoso no metrô, as pessoas dão um “like” ? Um joinha? Não. É o que se espera de qualquer ser humano descente.
 Mas dentro da pessoa fica a satisfação de estar fazendo algo bom, ou estar puto porque perdeu o assento.
 E ela não faz isso esperando aplausos ou tapinhas nas costas dos outros passageiros, tipo cachorro esperando o biscoito de recompensa quando faz o truquinho.
 Será que nos tornamos isso?
 Agora imagina que ridículo seria se todos andassem pela rua recitando frases de efeito?
 - Bom dia.
 - Eu defendo os gays e você deve respeita-los também!
 - Eu sou dono do meu destino e por isso faço sempre o melhor todos os dias. Vai querer quantos pães?
 - Deus não existe, o que existe é a ciência. Me vê dez.
 Tipo quando alguém vem empurrar para você a palavra da outra religião sem a sua permissão ou falar de crime enquanto você toma café da manhã.
 É um saco.
 - Mas ali é o meu espaço. Lê quem quer!
 E depois que você bloqueia fulano.
 Ele fica ofendido.
 Fazer o que.
 “É como atravessar a rua só para evitar o chato.
 Mas às vezes não tem rua para atravessar.
 E o encontro se torna inevitável.”


(A ultima citação eu li pela voz do Rogério Skylab, mas sei que é de outro autor.)

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Ser comum

 Ta aí uma coisa que eu desisti há tempos.
  Eu poderia ter dito normal, mas normal não porque todo mundo é normal dentro da sua realidade.
 Ser comum, do tipo povão? Pode ser. Do tipo gente comum que se vê por aí. Igual gado. Sempre na onda. Indo atrás da thurminha.
 Sobre futebol.
 Acho imbecil, idiota e sem sentido torcer por duas dúzia de candango ficando rico e eu tendo que ir trabalhar no dia seguinte só pra chegar lá e poder dizer que o time que eu escolhi é melhor que o do fulaninho.
 Sobre competição.
 Em certo ponto todos somos competitivos isso é fato, pois estamos nos comparando com os outros o tempo inteiro. Em certo nível isso é saudável porque em equipe podemos crescer juntos enfrentados situações, porém só pela graça de ser melhor que o outro?
 Tipo rede social, onde todo mundo compete pra ver quem é mais útil ao mundo.
 E lavar a louça pra mãe nada né.
 Carro.
 Se anda pra mim ta bom.
- Não, mas porque esse vai de zero a cem em tantos segundos e tem uma tecnologia de pindamnhangaba da pitiritomba que não sei o que lá e bla bla bla.
- E preço?
- Caríssimo!
- Ah! Entendi porque chama-se carro.
- Sério?
- É. Carro é caro em alemão, “esta carro estar carro, carrissimo!”.
 Xavecar mulher.
 Não tenho paciência pra ficar com mimimi falando sobre qualquer coisa só pra entreter ninguém, quando muito faço isso por educação.
- Nossa, mas você é tão quietinho né?
- Pois é né. Eu só sei falar de quadrinhos e seriados japoneses e...
- Quadrinhos? Então você viu os filmes da marvete né?
- Não...
- Mas como assim?! Você não faz quadrinhos?!
- Eu vivo no meu próprio mundinho, isolado do resto da manada. Saio pouco. Falo pouco. Tenho poucos amigos.
- E não vive não é?
- Mais do que você que vive aí abraçando o mundo, sim.
 O bom é tem sempre aquela que entende.
 Baladinha
 - Tipo a gente vai lá hoje, vai ter uma banda da hora. Aí a gente toma alguma coisa e se pah vai no mac depois.
- Ahã. – Pensando: eu podia ficar em casa dormindo, tem aquela série pra terminar de assistir, podia ta jogando, podia ta batendo punheta, podia guardar essa grana pra comprar quadrinho...
 Sobre bancar o macho.
- Você deste tamanho aí não guenta pegar uma geladeira sozinho?
  Ahhhh! Vou morrer se eu não transar todos os dias.
- Não vai.
 Sobre sair e conhecer gente nova!
- Pra que?
- Porque é bom.
- Porque é bom?
- Sei lá, porque é bom socializar de vez em quando?
- Porque é bom socializar de vez em quando?
- Ah vai toma no cú e fica no seu mudinho de merda!

- Fecha a porta quando sair!