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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Porque se sujar faz bem

Mulheres legais curtem desenho.
Riem alto.
Cantam.
Correm.
Andam de tênis e não só de salto alto.
Não tem nojinho.
Vão ao Shopping, mas também vão ao parque.
Não se importam se você tem carro.
São manhosas.
Estão sempre lindas.
Mesmo quando acordam com aquele cabelo todo “esgranhado”.
Fazem piada.
Enfiam o pé na lama.
Mulheres legais, não têm medo da chuva porque estraga chapinha.
Mulheres legais são legais mesmo gostando de você só como amigo.
Mas sem perder aquele jeitinho que só elas tem para fazer tudo isso e muito mais.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Sensibilidade


   - Querido vou a padaria comprar pão, você quer alguma coisa da rua?
   - Me traz um maço de cigarros.
   Ela sai deixando o homem vendo televisão na sala.
   Chegando a padaria ela é seqüestrada por guerrilheiros colombianos.
   Quando finalmente é libertada e volta para casa depois de quinze anos...
   - Amor você não adivinha o que aconteceu quando eu saí para comprar pão há quinze anos.
   E sem ao menos desviar o olhar da televisão, ele responde:
   - Não vem com conversa fiada, trouxe meu cigarro?

Feliz ano velho


   Chegou o fim do ano, tempo de panetones, dos cães do comércio querendo morder nosso salário e avaliar como foi o ano e planejar o próximo.
   É importante avaliar como foi o ano, as perdas e os ganhos. Pois Só assim dá para saber se o ano foi realmente produtivo.
   Fazer um balanço nos mostra o que conseguimos realizar e o que deixamos para trás.
   Já vi muitas pessoas que fazem promessas de ano novo que elas nunca cumprem. E concentram toda e esperança em um novo ano que começa.
   Por isso eu proponho comemorar o ano velho.
   Um ano novo trás a oportunidade de recomeço, concordo.
   Mas um ano velho deixa uma certeza de que a vida está fluindo de modo positivo ou negativo.
   Um ano novo é cheio de promessas.
   Um ano velho é cheio de realizações.
   Por isso comemore o ano velho, que você tem a certeza do que foi bom.
   De as boas vindas ao ano novo, com a certeza que ele será um ano velho... Melhor ainda.

domingo, 13 de novembro de 2011

A Ilha do tesouro


Quando somos crianças acreditamos em mundos estranhos com animais falantes e gente fantasiada combatendo o crime.
  Daí vem a adolescência. Onde ser bom é ser igual, estar na moda, viver o mundo real.
  Alguns conseguem atravessar esse mar tempestuoso da descoberta da realidade e por fim chegam a monotonia da vida adulta.
  Outros se perdem pelo caminho, seus barcos naufragam e os náufragos vão boiando pelo oceano até que se deparam com a praia de um continente esquisito, onde animais falam e gente fantasiada voa por aí combatendo o crime.
  Mas esse lugar não pode ser habitado por gente de verdade então eles são expulsos para a vida adulta, onde contam através de histórias em quadrinhos, livros, filmes e jogos sobre essa terra mágica chamada infância.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Doce de Sagú


Gelatina, Maria mole, suspiro e doce de sagu. Partes da minha infância.
 Uma infância boa e humilde.
 Raramente comia qualquer coisa vinda da sessão de guloseimas do mercado, quando muito, comia goiabada. Tenros e vermelhos pedaços de goiabada.
 Goiabada na lata, coisa da minha infância.
 Hoje raramente vejo goiabada em lata. Há tempos não como Maria mole... Maria mole feita na batedeira, depois ia endurecer na geladeira. Antigamente a gente esperava mais.
  E era mais gostoso.
  Ver aquele doce na geladeira num refratário de vidro, dava água na boca.
  Comer bolinho de chuva, bolinho de queijo ou bolinho folhado.
  Ajudar a avó na cozinha bater os ovos, peneirar farinha e no fim era uma lambança danada. Era boa aquela época, a gente via o leite se misturar com a farinha, a clara de ovo virar clara em neve, a massa chegar ao ponto como se deve.
 E avó sabe tudo de cabeça, lá do tempo da fazenda, quando lanche era merenda, o mercado ainda era venda.
 Hoje não tem mais disso, é abrir o saquinho, 3 minutos e pronto.
 Qualquer um é mestre cuca.
 Refrigerante era só no domingo, servido na garrafa de vidro. Ou quando vinha algum parente distante.
 Era uma festa, todos sentavam em volta da pessoa esperando novidades.
 Hoje não tem mais disso.
 É tudo internet, celular e velocidade máxima.
 Não podemos perder um segundo sequer apreciando o quintal de casa, não, tem que ser um lugar paradisíaco ou um cartão postal. Mesmo que seja por trás do vidro, da tela do LED LCD, a gente sempre quer estar distante.
 Infelizmente não tem como voltar no tempo.

 Mas ao menos as lembranças da pra guardar.

domingo, 16 de outubro de 2011

Voltando para casa

   O Sol está quase se pondo e cá estou eu caminhando para o ponto de ônibus, que para variar está mais cheio que carnaval de Rua na Bahia.
   Nosso Abadá é o bilhete único.
   Preso no meio da multidão avisto a lotação vindo devagarzinho ali na curva.
   É a minha.
   O cobrador – Um sujeito grande e com capuz de carrasco - vem gritando com sua voz de trovão:
   - Jardim Miriam! - Isso enquanto empunha sua vara de bambu (para varal).
   O pequeno veiculo para no ponto.
   A multidão avança, o cobrador usa o bambu para afastar os apressados para que uma velha senhora possa desembarcar. Suas tentativas são em vão, a velha já foi pisoteada. Os passageiros embarcam como um verdadeiro estouro de boiada.
   Não consigo dar um passo sequer, hora de usar minha técnica suprema.
   - Rock n’ Roll!
   E me jogo por cima da multidão, sou levado para dentro da lotação num piscar de segundos pelas mãos que me arremessam para frente. Ah! Nada como a solidariedade.
   Pronto, já estou dentro, com um olho roxo de uma cotovelada. Até lutador de MMA apanharia de uma multidão de passageiros ferozes como essa.
   Saímos do ponto.
   Incrivelmente todos os semáforos fecham quando a gente está na lotação, e ela não anda. Olho por uma pequena fresta os carros do lado de fora, com ar condicionado, musica ambiente e todo conforto... Olho com inveja, claro.
   No próximo ponto um sujeito se arrisca a dar sinal, a lotação nem sequer para, o cobrador pela janela com seu bambu (para varal) numa fisgada joga o sujeito para o alto. Ele cai dentro da lotação passando pela abertura da clarabóia no teto.
   Nessa altura da viagem não sinto mais minhas pernas, já estão dormentes.
   O calor começa a ficar insuportável.
   - Ar! Ar! Ar! - Alguém grita - Alguém abre uma janela pelo amor de Deus!
   Negativo.
   A lotação se aproxima de outro ponto, não abram as janelas ou vai ter mais gente tentando entrar pelas frestas! – Ordena o motorista.
   Me sinto dentro de um barco pirata, o motorista é o capitão e nos somos seus prisioneiros de guerra. E falando nisso chega o morro. Os homens são obrigados a descer e o motorista novamente ordena!
   - Empurrem! Empurrem!
   Caso contrario a lotação não vai.
   Quem se recusa a empurrar é ameaçado de levar uma bambuada do cobrador nas costas.
   E assim vamos empurrando desde o pé até o topo do morro.
   Entramos novamente na lotação.
   Passado um bom quarto de hora e com todo mundo mais espremido dentro da lotação do que café embalado a vácuo, o curso segue.
   Vejo um caminhão de lixo passando e começo a ter inveja... Dos sacos de lixo!
   Então, angustiantes duas horas depois chegamos a ponto final.
   Ninguém desceu no meio do caminho, provavelmente porque não conseguiu sair do lugar ou por medo de levar uma bambuada.
  A lotação para no ponto
  Dentre mortos e feridos os sobreviventes desembarcam e podem seguir para suas casas, para amanhã passa por isso tudo de novo.

domingo, 9 de outubro de 2011

Velhos companheiros

  De que adiantam caros, bonitos e intactos pares de tênis nos pés?
 O bom tênis é o que já percorreu vários quilômetros e tem muitas histórias na bagagem.
 Esse já tem a forma de nossos pés cansados.
 Porém quando os tênis velhos machucam e não servem mais para nossa caminhada, não temos outra opção se não troca-los por um companheiro novo.
 Nas primeiras pisadas testamos os novos calçados, que às vezes podem parecer duros e desconfortáveis. Mas depois de passar mais tempo conosco eles amolecem e vão tomando forma. Até que caibam confortavelmente em nossos pés cansados, para caminhar conosco por muitos quilômetros.
 O mesmo vale para as pessoas.
 De que adiantam novos amores e amizades todos os dias...?
 Pessoas boas são aquelas que já percorreram muito tempo conosco sem nos deixar na mão.
 Essas já têm a forma certa, para caber em nossas vidas cansadas.
 E quando não puderem mais acompanhar nosso passos, e apenas nos machucar.
 Elas serão descartadas e encontraremos outras.
 Para caminhar a nosso lado.
 Por muitos e muitos anos.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Comida de passarinho

    Seu Jóca - Jóquinha para os conhecidos - é dono de uma casa de ração para animais na periferia de uma grande cidade.
     Os pássaros são sua paixão. Conhece centenas de espécies, sabe imitar uma porção de cantos. Tanto que as crianças sempre que vão buscar algo em sua loja pedem:
     - Seu Jóca imita meu passarinho.
     Disse um menino que estava comprando ração para canário.
     E seu Jóca assoviava docemente o canto de um canário belga.
     Jóca tinha um habito incomum, comia sementes de girassol torradas com sal.
     As pessoas do bairro - que geralmente não sabem fazer outra coisa melhor do que meter o nariz na vida alheia - quando viam seu Jóca sentado na porta da loja com uma canequinha cheia de sementes de girassol torradas com sal, faziam chacota.
     - Piu Piu Piu.
     - Loro! Loro! Curupaco!
     A mulher vivia dando-lhe bronca.
     - Olha a pressão Jóquinha! Você não pode comer sal!
     Ele não ligava.
     Só apreciava o céu azul, a vista da rua e suas sementes, enquanto repousava os joelhos cansados sentado num banquinho de madeira.
     Vendia ração para pássaros, mas tinha dó deles. Nunca teve um passarinho de gaiola na vida, achava que todos tinham que viver soltos para voar pelo céu. Recordava de quando era criança, das arvores e pomares cheios de cantos de passarinhos e frutas maduras. Como eram bons aqueles tempos, hoje na rua a gente mal vê um pardal.
    E assim passavam as tardes, as semanas, os meses...
    Numa tarde de sábado, Jóca habitualmente estava repousando e comendo sua iguaria. De súbito sentiu uma dor no peito e morreu ali mesmo, sentado em seu banco enquanto comia sementes de girassol.
    Foi um infarto fulminante.
    A multidão de curiosos se dispersou depois que levaram o corpo embora.
    A mulher do seu Jóca, dona Carolinha, foi quem reabriu a loja alguns dias depois. Deixou tudo arrumado como o finado marido costumava deixar, inclusive o banquinho que era a companhia dele nas tardes.
    Um dia desses, dona Carolinha ouviu um canto de pássaro preto, não pode evitar se lembrar do marido. Quando se deu por conta o bicho estava pousado sobre o banco onde o marido ficava, perguntou aos vizinhos se alguém era dono do bichinho.
    Ninguém deu falta por nenhum pássaro desse tipo.
    Ela pensou e decidiu ficar com o pássaro, afinal numa cidade grande como essa ele não duraria muito tempo sozinho.
    Batizou o pássaro preto de Jóquinha, em homenagem ao finado marido.
    Jóquinha (o pássaro) era muito dócil e era criado sem gaiola, tinha um poleiro num canto da loja, sem grades e nem prisão se quisesse ir embora podia ir. Dona Carolinha nem ao menos cortou lhe as asas.
    No meio da tarde dona Carolinha também se acostumou a sentar na porta da loja para repousar e olhar a rua.
    O pássaro ao vê-la, ia para perto.
    Dona Carolinha pedia:
    - Canta meu Jóquinha, canta pra alegrar meu coração.
    E o passarinho cantava e cantava.
    O que ninguém fazia idéia era que o pássaro Jóquinha era nada menos que o velho Jóca. Que de tanto ansiar, depois que partiu renasceu como um lindo pássaro preto livre para cortar os céus e voar pelo mundo.
    Mas o velho Jóca sabia que as coisas não eram como antigamente, passarinho hoje não pode voar solto por aí.
    Ciente disso, assim que aprendeu a voar, tratou logo de voltar para sua loja. A gaiola onde viveu seus últimos dias como humano e seus últimos dias como pássaro.

Stress

 O chefe da repartição era um cara estressado. 
 Na sua rotina eram apenas problemas e mais problemas o dia todo, e ele os resolvia. 
 Sempre o 1º a chegar e o ultimo a sair do departamento.
 Os únicos minutos de folga no dia eram as pausas para o cafezinho. Sim, o mesmo expresso longo e sem açúcar duas ou três vezes por dia, todos os dias.
 A cada gole ele fechava os olhos e se sentia nas nuvens – não pelo gosto do café que era algo como barata moída – depois apreciava a vista das grandes janelas do prédio, via as pessoas lá em baixo como formigas perdidas umas desviando das outras, até que a chamada para alguma reunião ou para resolver alguma pendência o tirava do transe hipnótico e o levava para sua vida corrida de todos os dias.
  A velha senhora que vendia café, bolo e pão com manteiga no outro lado da rua passava os dias em devaneio olhando para o prédio alto.
  Chegava com seu carrinho cedinho com garrafas térmicas, cumbucas com bolo, pão com manteiga...
 Ela sempre teve orgulho de seu filho, dizia que trabalhava para bancar os estudos dele para que ele se torne um daqueles executivos de terno que sempre entram no grande prédio do outro lado da rua.
                                      ...
 E um dia a máquina de café quebrou.
 O chefe ficou sem pretexto para ficar na sala de “break” olhando a paisagem, muitos iam para a porta do prédio sob pretexto de fumar, mas ele não fumava.
  O real motivo para a hora do café era que ele, além de querer montar seu próprio negócio, amava escrever e a vista da janela do prédio lhe dava muito no que pensar no pouco tempo que tinha. Principalmente pelo fato de não poder ficar mais que dois minutos fora da mesa, ter uma brecha para espairecer era bem cômodo. Afinal até o almoço era para falar de negócios.
 Com a máquina quebrada ele titubeou, disse à secretaria que voltaria em alguns minutos e foi até a rua apressado para voltar a tempo para a reunião das três.
 Saindo do prédio logo avistou a velha senhora com seu carrinho e foi na direção dela.
 - Quanto custa o cafezinho?
 - Cinqüenta centavos “dotor”.
 Deu à primeira “beiçada” com cuidado - achando que o café estaria quente como de costume – provando o café morno e saboroso como há muito tempo não tomava. Agradeceu a velha senhora, lhe deu um real e por uma coincidência ela não tinha troco então lhe ofereceu um pedaço de bolo em troca do dinheiro faltante, ele aceitou e voltou apressado para dentro do prédio mordiscando o bolo de fubá.
 Nos dias seguintes a maquina de café já estava concertada, ele habitualmente voltou a freqüentar a sala de “break”, porém o não conseguia mais provar gosto do café de barata moída. Todos os dias sempre que podia ia até o carrinho da velha e comprava um café, bolo de fubá ou uma média com pão e manteiga.
 Ainda matinha o habito de observar a janela para se inspirar a escrever algo, chateado com o tempo que não se sentava para escrever ou ler qualquer coisa que não fossem relatórios.
 Olhando pela janela observava o carrinho da senhora sempre com algum freqüentador comprando algo. Passeando a vista pela paisagem percebeu que um andar com uma grande sacada no prédio em frente estava sendo esvaziado. Um dia por um acaso perguntou ao porteiro do prédio vizinho sobre o andar.
- Está vago, era um escritório que se mudou, acho que foram lá pra Faria Lima.
 Animado ele pensou que era hora de largar aquela vida tediosa, já tinha algumas economias de um apartamento que acabará de vender.
 No lugar do escritório, há um mês foi inaugurada uma livraria e café.
 Dizem que o café de lá é excelente.
 - Parece tudo comida de avó.
                                    ...
 Os grandes executivos continuam sem tempo para ir à livraria, se não estão trabalhando estão no bar enchendo a cara para desestressar.
 E esses mesmos grandes executivos ainda sentem falta do chefe, que após anos administrando a vida de uma grande empresa resolveu administrar a sua própria vida.
 Mas ainda mais saudosos estão os freqüentadores do carrinho que ficava ali, humilde e quase insignificante entre os dois imponente prédios, aquele bolo de fubá não tinha igual.



Fusquinhas

  Eu sei que você já se perguntou por que existem tantos fuscas nas periferias.
    Um dia descobri existência de um mercado paralelo de customização para fuscas, pode ser um dos motivos.
     Numa cooperação informal os donos de ferro velho, funileiros, mecânicos e serralheiros se unem para fazer a alegria da “póbraiada”.
     Com um amplo conhecimento em “gambiarraria”, eles transformam geladeiras, maquinas de lavar e outros eletrodomésticos em partes e acessórios de customização para fusquinhas.
     Já se perguntou por que o motor dos fuscas soa como uma batedeira e podem ser arrumados apenas com a emenda de uma simples correia?
     Pois bem, esses fuscas têm motor de máquina de lavar e o porta-malas na frente pode ser aberto e usado perfeitamente como um tanquinho. Que lava, deixa de molho, centrifuga e para os pedreiros tem a exclusiva função mexer massa.
     E aos fins de semana a família pode ir “domingar” com seu tanquinho sobre rodas, deve ser daí saiu à idéia para o tanque de guerra.
     Tem o modelo café da manhã, com um bule no radiador você pode fazer café, ferver leite e com uma exclusiva chapa feita com dois ferros de passar você faz seu pãozinho prensado com manteiga, “dilicia”!
     E há também os fuscas com ar-condicionado, frigobar, climatização... Não tive dúvidas que o motor desse tipo é de geladeira.
     O dono é sempre a sensação do churrasco, ao sair do mercado eles colocam as bebidas no porta-malas e elas já chegam geladinhas no destino, um luxo total.
     O mercado ainda é pequeno, mas promissor.

Padarias

  O café da manhã de domingo tem um ar especial.
  Todos comem sem pressa em volta da mesa.
  Mas alguém tem de ir a padaria buscar o pão quente... E um milhão de coisas podem acontecer no tempo entre você sair de casa e passar a manteiga no pão.
   Minha avó sempre me fala sobre o filho de não sei quem que saiu para comprar pão sem o RG foi confundido com um ladrão foi preso.
   Um domingo destes aconteceu o seguinte:
   - Ué, o forno não acende? Joaquim, que aconteceu com o forno? Não acende.
    Joaquim – também padeiro – vem verificar e vê que o forno realmente não acende.
    E agora?
   A gôndola com o pão francês está quase vazia, a massa para a próxima fornada está nas esteiras para pão e pronta para ser assada. Só não tem como assar.
   O dono da padaria – que não é Manoel, nem português, mas do interior de São Paulo – vem verificar e ordena:
   - Bom, assem no forno maior.
   Depois resmungou:   
   - Não sei por que comprei está joça automática quando aquele forno ainda estava bom – E bam! Da um chute no forno quebrado.
   Convém dizer que o outro forno, o antigo, estava sem ser usado a um bom tempo.
   A essa altura os fregueses concordaram em aguardar na fila sob a promessa de que em menos de cinco minutos sairia uma nova fornada de pão quentinho.
   Os dois padeiros então afastaram algumas caixas de mantimentos que estavam no caminho do forno antigo e o acenderam como de costume para pré aquecê-lo. Foi então que aconteceu.
   Trac!Trac!Trac!
   Som de patas correndo... Um cheiro de queimado se espalha pelo ar.
   Os dois se entreolharam e de repente como em uma largada de maratona asquerosos e chamuscados ratos saltam de todos os buracos do forno avançando pela pequena cozinha por cima dos balcões saltando das prateleiras em cima dos fregueses que instantaneamente esvaziaram a padaria, não só assustados com os recém descobertos inquilinos do estabelecimento mas também temendo um possível incêndio!
   A vigilância sanitária fechou o local no dia seguinte.
   Não demorou muito tempo a padaria reabriu suas portas depois de uma inspeção e a mudança de donos.
   Os novos donos até colocaram uma faixa de “sob nova direção” na fachada.
   Meio a contra gosto os fregueses voltaram a freqüentar a padaria, afinal se mudou de dono e a prefeitura disse que está tudo em ordem. Além de que o concorrente mais próximo fica bem longe.
   E realmente aos poucos os moradores da redondeza foram constatando que a qualidade dos produtos e higiene melhoraram. 
 Porém no dia em que anunciaram com um cartaz grande na porta que a padaria ia começar a vender churrasco ninguém da vizinhança se arriscou a comprar um espeto de carne sequer.
  Talvez pelo incidente com os ratos assados... 
   E também tenho notado que pelo bairro os cachorros de rua andam sumindo, tem-se que é a carrocinha, mas eu não me arrisco.
   Carne só no açougue.
   E pão agora só de forma.