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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Facebruto

 Dizem que o facebruto é coisa pra curiar a vida alheia
 E é.
 E isso é um prato cheio para o narcisismo.
 Na vida somos como atores interpretando em um grande palco. E ter uma dezena de seguidores é como ter uma platéia para assistir o espetáculo.
 - 3000 mil amigos? Meu Deus como eu sou importante!
 3000 mil amigos cuidando da própria vida e uns três no máximo que realmente se importam com o glorioso showzinho da sua vida cotidiana.
 Redes sociais são uma alegoria do mundo real (afinal não criamos nada do zero) ter um perfil no facebruto, instragando, é como ter seu palquinho virtual. Nos torna celebridades do cotidiano. Da aquela sensação que somos tão importantes. Talvez por isso essa necessidade de todos dizerem alguma coisa o tempo todo.
 Mas ao passo que todo mundo diz tudo o tempo todo ninguém escuta nada.
 É tanta informação, ficamos o tempo todo postando conteúdo e curtindo o showzinho no palco ao lado que não temos tempo de ser platéia, ou ser roteirista, ou ensaiar, ou simplesmente ficar quieto. Existe uma necessidade quase obsessiva de dizer/mostrar alguma coisa sempre que possível.
 A prova disso?
 Tira o botão like e o de compartilhar para ver no que dá.
 Só de dificultar em 5 segundos o processo de uma postagem nos faria pensar se o que estamos fazendo é realmente útil. Tem uma meia dúzia que faz as montagem de frase mais foto e resto do mundo curte e compartilha e só propaga o discurso alheio como sendo dele.
 O like e compartilhar na maioria das vezes são apertados no impulso. Em uma coisa que nos interessou ali por um instante e daqui dois minutos a gente já nem lembra o que era.
 O facebruto é uma cópia do mundo real, agora imaginemos o contrário.
 Uma pessoa da lugar a um idoso no metrô, as pessoas dão um “like” ? Um joinha? Não. É o que se espera de qualquer ser humano descente.
 Mas dentro da pessoa fica a satisfação de estar fazendo algo bom, ou estar puto porque perdeu o assento.
 E ela não faz isso esperando aplausos ou tapinhas nas costas dos outros passageiros, tipo cachorro esperando o biscoito de recompensa quando faz o truquinho.
 Será que nos tornamos isso?
 Agora imagina que ridículo seria se todos andassem pela rua recitando frases de efeito?
 - Bom dia.
 - Eu defendo os gays e você deve respeita-los também!
 - Eu sou dono do meu destino e por isso faço sempre o melhor todos os dias. Vai querer quantos pães?
 - Deus não existe, o que existe é a ciência. Me vê dez.
 Tipo quando alguém vem empurrar para você a palavra da outra religião sem a sua permissão ou falar de crime enquanto você toma café da manhã.
 É um saco.
 - Mas ali é o meu espaço. Lê quem quer!
 E depois que você bloqueia fulano.
 Ele fica ofendido.
 Fazer o que.
 “É como atravessar a rua só para evitar o chato.
 Mas às vezes não tem rua para atravessar.
 E o encontro se torna inevitável.”


(A ultima citação eu li pela voz do Rogério Skylab, mas sei que é de outro autor.)

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