Dizem que o facebruto
é coisa pra curiar a vida alheia
E é.
E isso é um prato
cheio para o narcisismo.
Na vida somos como
atores interpretando em um grande palco. E ter uma dezena de seguidores é como
ter uma platéia para assistir o espetáculo.
- 3000 mil amigos?
Meu Deus como eu sou importante!
3000 mil amigos
cuidando da própria vida e uns três no máximo que realmente se importam com o glorioso
showzinho da sua vida cotidiana.
Redes sociais são uma
alegoria do mundo real (afinal não criamos nada do zero) ter um perfil no facebruto,
instragando, é como ter seu palquinho virtual. Nos torna celebridades do
cotidiano. Da aquela sensação que somos tão importantes. Talvez por isso essa necessidade
de todos dizerem alguma coisa o tempo todo.
Mas ao passo que todo
mundo diz tudo o tempo todo ninguém escuta nada.
É tanta informação, ficamos
o tempo todo postando conteúdo e curtindo o showzinho no palco ao lado que não
temos tempo de ser platéia, ou ser roteirista, ou ensaiar, ou simplesmente
ficar quieto. Existe uma necessidade quase obsessiva de dizer/mostrar alguma coisa
sempre que possível.
A prova disso?
Tira o botão like e o
de compartilhar para ver no que dá.
Só de dificultar em 5
segundos o processo de uma postagem nos faria pensar se o que estamos fazendo é
realmente útil. Tem uma meia dúzia que faz as montagem de frase mais foto e
resto do mundo curte e compartilha e só propaga o discurso alheio como sendo
dele.
O like e compartilhar
na maioria das vezes são apertados no impulso. Em uma coisa que nos interessou
ali por um instante e daqui dois minutos a gente já nem lembra o que era.
O facebruto é uma
cópia do mundo real, agora imaginemos o contrário.
Uma pessoa da lugar a
um idoso no metrô, as pessoas dão um “like” ? Um joinha? Não. É o que se espera
de qualquer ser humano descente.
Mas dentro da pessoa
fica a satisfação de estar fazendo algo bom, ou estar puto porque perdeu o
assento.
E ela não faz isso
esperando aplausos ou tapinhas nas costas dos outros passageiros, tipo cachorro
esperando o biscoito de recompensa quando faz o truquinho.
Será que nos tornamos
isso?
Agora imagina que
ridículo seria se todos andassem pela rua recitando frases de efeito?
- Bom dia.
- Eu defendo os gays
e você deve respeita-los também!
- Eu sou dono do meu
destino e por isso faço sempre o melhor todos os dias. Vai querer quantos pães?
- Deus não existe, o
que existe é a ciência. Me vê dez.
Tipo quando alguém
vem empurrar para você a palavra da outra religião sem a sua permissão ou falar
de crime enquanto você toma café da manhã.
É um saco.
- Mas ali é o meu
espaço. Lê quem quer!
E depois que você
bloqueia fulano.
Ele fica ofendido.
Fazer o que.
“É como atravessar a
rua só para evitar o chato.
Mas às vezes não tem
rua para atravessar.
E o encontro se torna
inevitável.”
(A ultima citação eu li pela voz do Rogério Skylab, mas sei
que é de outro autor.)
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