O lobo seguia pela floresta a caminho de casa
quando se deparou com uma festa de porcos a beira da estrada.
Os porcos estavam de terno e suas senhoras porcas
gordas e nojentas estavam vestidas a rigor.
Todos estavam em volta de uma longa e farta mesa com
tantas comidas variadas que o lobo nunca viu na vida.
- Vejam como somos poderosos! Hahaha! – Eles riam.
- Somos a elite! Hahahaha!
Eles diziam entre um bocado e outro chafurdando o
focinho grande nos pratos fartos.
A festa ficava bem no caminho do lobo.
A estrada, bem como todo entorno dela são de uso comum
a todos os animais.
Até mesmo o temido lobo sabia e respeitava essa regra
e por isso sabia que deviam lhe respeitar os direitos também.
Por isso seguiu o caminho adentrando a festa sem pensar
duas vezes, porém adentrou cabisbaixo para não assustar ou não incomodar
ninguém.
Os porcos estavam tão ocupados em se vangloriarem uns
para os outros de suas posses e poder sem limites que nem notaram a
presença do lobo cinzento em meio a festa.
Isso até o lobo que movido mais pela curiosidade que
pela fome se arriscar em dar um bocado em um dos petiscos exóticos que caiu do
prato de um dos glutões perto dele.
Mau engoliu o petisco com um gosto estranho e seus
ouvidos foram irritados por um latido estridente de um pequeno chiwawa de
coleirinha latindo a plenos pulmões.
- Você não pode ficar aqui! Saia! Saia agora! Essa festa é
dos meus patrões! Os poderosos e sublimes porcos!
O lobo olhou para ele com ódio, mas acatou a decisão,
afinal ele não queria encrenca.
Seguiu pela festa em direção a saída que ia dar em seu
caminho de casa.
O chiwawa latia cada vez mais alto com seu latido
estridente e irritante!
- Fora! Fora! Fora! Essa festa é dos meus senhores!
O lobo olhou para trás com o olhar ainda mais
colérico.
O chiwawa estava escoltado por dois ursos robustos e
presunçosos fardados de policiais.
O lobo então virou-se para a frente e seguiu a até
sair da “festinha” dos porcos.
- Ei! – o lobo gritou para o chiwawa na saida -
Esqueci de devolver uma coisa!
E vomitou o pestico que havia comido do chão.
- Eu não preciso dos seus restos, tenho comida muito melhor
e limpa na minha casa!
O chiwawa esganiçava e latia até quase ter um infarto
de tanto gritar.
- FORA! FORA! FORA!
O lobo seguiu seu caminho.
No dia seguinte o lobo passou pelo mesmo lugar a
caminho da cidade.
Viu no chão a imundice e o lixo da festa do dia
anterior.
Sentiu nojo.
Mas sentiu mais nojo ainda quando viu quem entre os
restos o chiwawa juntava restos de comida em um saquinho para levar para casa.
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