Gelatina, Maria mole, suspiro e doce de sagu. Partes da minha
infância.
Uma infância boa e humilde.
Raramente comia qualquer coisa vinda da sessão de guloseimas
do mercado, quando muito, comia goiabada. Tenros e vermelhos pedaços de
goiabada.
Goiabada na lata, coisa da minha infância.
Hoje raramente vejo goiabada em lata. Há tempos não como
Maria mole... Maria mole feita na batedeira, depois ia endurecer na geladeira.
Antigamente a gente esperava mais.
E era mais gostoso.
Ver aquele
doce na geladeira num refratário de vidro, dava água na boca.
Comer bolinho de chuva, bolinho de queijo ou bolinho
folhado.
Ajudar a avó
na cozinha bater os ovos, peneirar farinha e no fim era uma lambança danada. Era
boa aquela época, a gente via o leite se misturar com a farinha, a clara de ovo
virar clara em neve, a massa chegar ao ponto como se deve.
E avó sabe tudo de cabeça, lá do tempo da fazenda, quando
lanche era merenda, o mercado ainda era venda.
Hoje não tem mais disso, é abrir o saquinho, 3 minutos e
pronto.
Qualquer um é mestre cuca.
Refrigerante era só no domingo, servido na garrafa de vidro.
Ou quando vinha algum parente distante.
Era uma festa, todos sentavam em volta da pessoa esperando
novidades.
Hoje não tem mais disso.
É tudo internet, celular e velocidade máxima.
Não podemos perder um segundo sequer apreciando o quintal de
casa, não, tem que ser um lugar paradisíaco ou um cartão postal. Mesmo que seja
por trás do vidro, da tela do LED LCD, a gente sempre quer estar distante.
Infelizmente não tem como voltar no tempo.
Mas ao menos as lembranças da pra guardar.
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