Aqui estou eu sentando na frente do computador em uma morna segunda feira.
Nesses momentos costumo pensar e avaliar o rumo que estou seguindo. Se eu fiz as escolhas certas, quais são meus sonhos, quais eu realizei, quais eu me esqueci... Não recordo de ter nenhuma grande pretensão desde criança, alguns momentos felizes já me faziam satisfeito desde que recordo.
Quando comecei a ter mais contato com o mundo às pessoas, seus desejos, sonhos, pretensões, frustrações. Comecei a desejar bens, pessoas, realizações, objetivos e afins. As coisas que geralmente alguém julga serem essenciais a uma vida satisfatória.
Em um destes momentos de reflexão comecei a perceber que esse aprendizado me levou a desejar bens que são inúteis para mim. Pessoas que não me agradam em nada. Realizações que nunca vão me satisfazer. Objetivos que não fazem a mínima diferença para se ter em mente ou realizar. Almejando uma vida que os outros julgam ser boa.
Nisso voltei os olhos para dentro de mim. E vi que aquele menino magrelo rabiscando alguns traços coloridos em folhas de caderno na mesa cozinha continuava lá, esperando que o homem que voz fala pudesse tanto aprender a satisfação que aquele simples gesto pode trazer tanto quanto ensiná-lo a aprimorar e extrair ainda mais daqueles simples sonhos de criança.
Nesse dia mágico descobri ou relembrei que eu tinha um sonho, mas meu ar desinteressado com tudo nunca lhe deu asas para ele pudesse voar e se tornar algo maior.
Então munido do conhecimento do mundo e de asas para ir a qualquer lugar, decidi enfim trabalhar junto com aquele menino que sempre pensou nesse mundo de um modo muito peculiar e fantasioso.
Um mundo cheio de seres mascarados, monstros gigantes arquitetados por um vilão dono de uma Bardaria, porcos robôs que aterrorizam grandes metrópoles.
Sim, um mundo cheio de caos e destruição assim como esse no qual vivemos.
Mas o menino sempre contou com a ajuda de outros seres, mascarados, suínos, possuidores de estranhos poderes adquiridos de alimentos transgenicos, bueiros entupidos, ferros velhos... Todos com suas vidas normais, tendo que andar de ônibus ou comprar pão de manhã. Mas com apenas um chamado eram convocados a lutar contra o mau.
Por fim esse menino me ensinou a mais valiosa das lições:
Quando adulto não é sempre que podemos contar com nossos amigos heróicos para nos salvar de um acidente, uma dívida, do ônibus lotado... Mas eu tenho certeza que eles sempre estão comigo onde quer que eu vá. Mesmo esse mundo fantástico estando só na minha mente.
No fim das contas fui salvo pelos meus próprios heróis e vilões que não estão somente nas paginas dos meus velhos cadernos, no Escadão, Americanópolis ou no planeta Zoork. Estarão sempre guardados comigo no meu universo.
Na minha alma.
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