O café da manhã de domingo tem um ar especial.
Todos comem sem pressa em volta da mesa.
Mas alguém tem de ir a padaria buscar o pão quente...
E um milhão de coisas podem acontecer no tempo entre você sair de casa e passar
a manteiga no pão.
Minha avó sempre me fala sobre o filho de não
sei quem que saiu para comprar pão sem o RG foi confundido com um ladrão foi
preso.
Um domingo destes aconteceu o seguinte:
- Ué, o forno não acende? Joaquim, que
aconteceu com o forno? Não acende.
Joaquim – também padeiro – vem verificar e vê
que o forno realmente não acende.
E agora?
A gôndola com o pão francês está quase vazia, a
massa para a próxima fornada está nas esteiras para pão e pronta para ser
assada. Só não tem como assar.
O dono da padaria – que não é Manoel, nem
português, mas do interior de São Paulo – vem verificar e ordena:
- Bom, assem no forno maior.
Depois resmungou:
- Não sei por que comprei está joça automática
quando aquele forno ainda estava bom – E bam! Da um chute no forno quebrado.
Convém dizer que o outro forno, o antigo,
estava sem ser usado a um bom tempo.
A essa altura os fregueses concordaram em
aguardar na fila sob a promessa de que em menos de cinco minutos sairia uma
nova fornada de pão quentinho.
Os dois padeiros então afastaram algumas caixas
de mantimentos que estavam no caminho do forno antigo e o acenderam como de
costume para pré aquecê-lo. Foi então que aconteceu.
Trac!Trac!Trac!
Som de patas correndo... Um cheiro de queimado
se espalha pelo ar.
Os dois se entreolharam e de repente como em
uma largada de maratona asquerosos e chamuscados ratos saltam de todos os
buracos do forno avançando pela pequena cozinha por cima dos balcões
saltando das prateleiras em cima dos fregueses que instantaneamente
esvaziaram a padaria, não só assustados com os recém descobertos
inquilinos do estabelecimento mas também temendo um
possível incêndio!
A vigilância sanitária fechou o local no dia
seguinte.
Não demorou muito tempo a padaria reabriu suas
portas depois de uma inspeção e a mudança de donos.
Os novos donos até colocaram uma faixa de “sob
nova direção” na fachada.
Meio a contra gosto os fregueses voltaram a
freqüentar a padaria, afinal se mudou de dono e a prefeitura disse que está
tudo em ordem. Além
de que o concorrente mais próximo fica bem longe.
E realmente aos poucos os moradores da
redondeza foram constatando que a qualidade dos produtos e higiene
melhoraram.
Porém no dia em que anunciaram com um cartaz grande na
porta que a padaria ia começar a vender churrasco ninguém da vizinhança se
arriscou a comprar um espeto de carne sequer.
Talvez pelo incidente com os ratos assados...
E também tenho notado que pelo bairro os
cachorros de rua andam sumindo, tem-se que é a carrocinha, mas eu não me
arrisco.
Carne só no açougue.
E pão agora só de forma.
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