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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Padarias

  O café da manhã de domingo tem um ar especial.
  Todos comem sem pressa em volta da mesa.
  Mas alguém tem de ir a padaria buscar o pão quente... E um milhão de coisas podem acontecer no tempo entre você sair de casa e passar a manteiga no pão.
   Minha avó sempre me fala sobre o filho de não sei quem que saiu para comprar pão sem o RG foi confundido com um ladrão foi preso.
   Um domingo destes aconteceu o seguinte:
   - Ué, o forno não acende? Joaquim, que aconteceu com o forno? Não acende.
    Joaquim – também padeiro – vem verificar e vê que o forno realmente não acende.
    E agora?
   A gôndola com o pão francês está quase vazia, a massa para a próxima fornada está nas esteiras para pão e pronta para ser assada. Só não tem como assar.
   O dono da padaria – que não é Manoel, nem português, mas do interior de São Paulo – vem verificar e ordena:
   - Bom, assem no forno maior.
   Depois resmungou:   
   - Não sei por que comprei está joça automática quando aquele forno ainda estava bom – E bam! Da um chute no forno quebrado.
   Convém dizer que o outro forno, o antigo, estava sem ser usado a um bom tempo.
   A essa altura os fregueses concordaram em aguardar na fila sob a promessa de que em menos de cinco minutos sairia uma nova fornada de pão quentinho.
   Os dois padeiros então afastaram algumas caixas de mantimentos que estavam no caminho do forno antigo e o acenderam como de costume para pré aquecê-lo. Foi então que aconteceu.
   Trac!Trac!Trac!
   Som de patas correndo... Um cheiro de queimado se espalha pelo ar.
   Os dois se entreolharam e de repente como em uma largada de maratona asquerosos e chamuscados ratos saltam de todos os buracos do forno avançando pela pequena cozinha por cima dos balcões saltando das prateleiras em cima dos fregueses que instantaneamente esvaziaram a padaria, não só assustados com os recém descobertos inquilinos do estabelecimento mas também temendo um possível incêndio!
   A vigilância sanitária fechou o local no dia seguinte.
   Não demorou muito tempo a padaria reabriu suas portas depois de uma inspeção e a mudança de donos.
   Os novos donos até colocaram uma faixa de “sob nova direção” na fachada.
   Meio a contra gosto os fregueses voltaram a freqüentar a padaria, afinal se mudou de dono e a prefeitura disse que está tudo em ordem. Além de que o concorrente mais próximo fica bem longe.
   E realmente aos poucos os moradores da redondeza foram constatando que a qualidade dos produtos e higiene melhoraram. 
 Porém no dia em que anunciaram com um cartaz grande na porta que a padaria ia começar a vender churrasco ninguém da vizinhança se arriscou a comprar um espeto de carne sequer.
  Talvez pelo incidente com os ratos assados... 
   E também tenho notado que pelo bairro os cachorros de rua andam sumindo, tem-se que é a carrocinha, mas eu não me arrisco.
   Carne só no açougue.
   E pão agora só de forma.

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