Na sua rotina eram apenas problemas e mais problemas o dia todo, e ele os resolvia.
Sempre o 1º a chegar e o ultimo a sair do departamento.
Os únicos minutos de folga no dia eram as pausas para o cafezinho. Sim, o mesmo expresso longo e sem açúcar duas ou três vezes por dia, todos os dias.
A cada gole ele fechava os olhos e se sentia nas nuvens – não pelo gosto do café que era algo como barata moída – depois apreciava a vista das grandes janelas do prédio, via as pessoas lá em baixo como formigas perdidas umas desviando das outras, até que a chamada para alguma reunião ou para resolver alguma pendência o tirava do transe hipnótico e o levava para sua vida corrida de todos os dias.
A velha senhora que vendia café, bolo e pão com manteiga no outro lado da rua passava os dias em devaneio olhando para o prédio alto.
Chegava com seu carrinho cedinho com garrafas térmicas, cumbucas com bolo, pão com manteiga...
Ela sempre teve orgulho de seu filho, dizia que trabalhava para bancar os estudos dele para que ele se torne um daqueles executivos de terno que sempre entram no grande prédio do outro lado da rua.
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Os únicos minutos de folga no dia eram as pausas para o cafezinho. Sim, o mesmo expresso longo e sem açúcar duas ou três vezes por dia, todos os dias.
A cada gole ele fechava os olhos e se sentia nas nuvens – não pelo gosto do café que era algo como barata moída – depois apreciava a vista das grandes janelas do prédio, via as pessoas lá em baixo como formigas perdidas umas desviando das outras, até que a chamada para alguma reunião ou para resolver alguma pendência o tirava do transe hipnótico e o levava para sua vida corrida de todos os dias.
A velha senhora que vendia café, bolo e pão com manteiga no outro lado da rua passava os dias em devaneio olhando para o prédio alto.
Chegava com seu carrinho cedinho com garrafas térmicas, cumbucas com bolo, pão com manteiga...
Ela sempre teve orgulho de seu filho, dizia que trabalhava para bancar os estudos dele para que ele se torne um daqueles executivos de terno que sempre entram no grande prédio do outro lado da rua.
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E um dia a máquina de café quebrou.
O chefe ficou sem pretexto para ficar na sala de “break” olhando a paisagem, muitos iam para a porta do prédio sob pretexto de fumar, mas ele não fumava.
O chefe ficou sem pretexto para ficar na sala de “break” olhando a paisagem, muitos iam para a porta do prédio sob pretexto de fumar, mas ele não fumava.
O real motivo para a hora do café era que ele, além de querer montar seu próprio negócio, amava escrever e a vista da janela do prédio lhe dava muito no que pensar no pouco tempo que tinha. Principalmente pelo fato de não poder ficar mais que dois minutos fora da mesa, ter uma brecha para espairecer era bem cômodo. Afinal até o almoço era para falar de negócios.
Com a máquina quebrada ele titubeou, disse à secretaria que voltaria em alguns minutos e foi até a rua apressado para voltar a tempo para a reunião das três.
Saindo do prédio logo avistou a velha senhora com seu carrinho e foi na direção dela.
- Quanto custa o cafezinho?
- Cinqüenta centavos “dotor”.
Deu à primeira “beiçada” com cuidado - achando que o café estaria quente como de costume – provando o café morno e saboroso como há muito tempo não tomava. Agradeceu a velha senhora, lhe deu um real e por uma coincidência ela não tinha troco então lhe ofereceu um pedaço de bolo em troca do dinheiro faltante, ele aceitou e voltou apressado para dentro do prédio mordiscando o bolo de fubá.
Nos dias seguintes a maquina de café já estava concertada, ele habitualmente voltou a freqüentar a sala de “break”, porém o não conseguia mais provar gosto do café de barata moída. Todos os dias sempre que podia ia até o carrinho da velha e comprava um café, bolo de fubá ou uma média com pão e manteiga.
Ainda matinha o habito de observar a janela para se inspirar a escrever algo, chateado com o tempo que não se sentava para escrever ou ler qualquer coisa que não fossem relatórios.
Olhando pela janela observava o carrinho da senhora sempre com algum freqüentador comprando algo. Passeando a vista pela paisagem percebeu que um andar com uma grande sacada no prédio em frente estava sendo esvaziado. Um dia por um acaso perguntou ao porteiro do prédio vizinho sobre o andar.
- Está vago, era um escritório que se mudou, acho que foram lá pra Faria Lima.
Animado ele pensou que era hora de largar aquela vida tediosa, já tinha algumas economias de um apartamento que acabará de vender.
No lugar do escritório, há um mês foi inaugurada uma livraria e café.
Dizem que o café de lá é excelente.
- Parece tudo comida de avó.
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Com a máquina quebrada ele titubeou, disse à secretaria que voltaria em alguns minutos e foi até a rua apressado para voltar a tempo para a reunião das três.
Saindo do prédio logo avistou a velha senhora com seu carrinho e foi na direção dela.
- Quanto custa o cafezinho?
- Cinqüenta centavos “dotor”.
Deu à primeira “beiçada” com cuidado - achando que o café estaria quente como de costume – provando o café morno e saboroso como há muito tempo não tomava. Agradeceu a velha senhora, lhe deu um real e por uma coincidência ela não tinha troco então lhe ofereceu um pedaço de bolo em troca do dinheiro faltante, ele aceitou e voltou apressado para dentro do prédio mordiscando o bolo de fubá.
Nos dias seguintes a maquina de café já estava concertada, ele habitualmente voltou a freqüentar a sala de “break”, porém o não conseguia mais provar gosto do café de barata moída. Todos os dias sempre que podia ia até o carrinho da velha e comprava um café, bolo de fubá ou uma média com pão e manteiga.
Ainda matinha o habito de observar a janela para se inspirar a escrever algo, chateado com o tempo que não se sentava para escrever ou ler qualquer coisa que não fossem relatórios.
Olhando pela janela observava o carrinho da senhora sempre com algum freqüentador comprando algo. Passeando a vista pela paisagem percebeu que um andar com uma grande sacada no prédio em frente estava sendo esvaziado. Um dia por um acaso perguntou ao porteiro do prédio vizinho sobre o andar.
- Está vago, era um escritório que se mudou, acho que foram lá pra Faria Lima.
Animado ele pensou que era hora de largar aquela vida tediosa, já tinha algumas economias de um apartamento que acabará de vender.
No lugar do escritório, há um mês foi inaugurada uma livraria e café.
Dizem que o café de lá é excelente.
- Parece tudo comida de avó.
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Os grandes executivos continuam sem tempo para ir à livraria, se não estão trabalhando estão no bar enchendo a cara para desestressar.
E esses mesmos grandes executivos ainda sentem falta do chefe, que após anos administrando a vida de uma grande empresa resolveu administrar a sua própria vida.
Mas ainda mais saudosos estão os freqüentadores do carrinho que ficava ali, humilde e quase insignificante entre os dois imponente prédios, aquele bolo de fubá não tinha igual.
E esses mesmos grandes executivos ainda sentem falta do chefe, que após anos administrando a vida de uma grande empresa resolveu administrar a sua própria vida.
Mas ainda mais saudosos estão os freqüentadores do carrinho que ficava ali, humilde e quase insignificante entre os dois imponente prédios, aquele bolo de fubá não tinha igual.
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