Luciana estava afoita
para ir ao banheiro, rezando para o elevador chegar rápido ao andar dela. Assim
que a porta do elevador se abriu ela saiu apressada já com a chave do
apartamento em mãos.
Largou a bolsa e as chaves em cima da mesa assim que entrou
no banheiro trancou a porta e quase morreu de susto ao levantar a tampa da
privada e ouvir um “boa tarde” de uma cabeça de um homem que estava dentro da
privada.
- AAAAA!
- Por favor dona, não em cima de mim.
- O que é isso?! – Gritou Luciana apavorada.
- Olha nem mesmo eu sei muito bem como vim para aqui na sua
privada dona. Só por favor, não faz em cima de mim ta?
- E como diabos você foi para ai!?
- Eu estava andando na rua e cai em um bueiro. Então a procura
superfície eu cheguei aqui na sua privada. Só que eu fiquei entalado.
- Olha moço o senhor da licença um minutinho ta.
- Tem toda.
Luciana sai apressada do banheiro e vai até o
apartamento vizinho.
- Boa tarde.
- Boa tarde vizinha, o que a trás aqui? – Disse alegremente
Dona Silvana do 208.
- Eu poderia usar o seu banheiro? É que o meu esta com um
problema no encanamento e...
- Mas é claro minha filha, pode ir lá.
Luciana entrou e se
aliviou usando o banheiro da vizinha. Tempo esse para se refazer do susto e pensar
no tamanho da bizarrice que acabara de presenciar em seu banheiro.
Depois de resolver o
que veio fazer no apartamento vizinho, agradeceu a gentileza da moradora e
voltou para o seu apartamento.
Hesitou por um
momento. Tinha mesmo um sujeito dentro do seu vaso sanitário? Ou era só coisa
da cabeça dela? Será que ele já tinha ido embora? Ou ia morar ali para sempre?
Ela teria que receber as visitas dele em seu banheiro. E quem sabe até a
família dele insistisse para habitar o pequeno cubículo só para não ficar longe
do pai. No pior dos casos ela venderia o apartamento para eles, mas como
viveriam sem poder usar o banheiro? Usariam o do vizinho o resto da vida?
Respirou fundo, tomou
coragem e adentrou o banheiro.
O homem, ou ao menos
a cabeça que era a parte visível dele, ainda continuava no vaso.
- Escuta, esse banheiro é meu! – Disse Luciana imponente.
- Sim dona.
- Você nunca ouviu falar em privacidade? Em propriedade
privada?
- Sim, entendo que a privada seja sua senhorita. Mas eu
juro. Eu juro que foi um acidente! – O homem baubuçiava.
- Ahã. E quem garante que você não é só uma alucinação da
minha cabeça? Ou algum tarado que se enfiou aí só para me espiar.
- A senhora está me acusando? Eu já disse que vim parar aqui
por mera casualidade! E se pudesse escolher eu escolheria uma privada mais
limpinha pelo menos!
Luciana ficou
possessa.
- Muito me admira o senhor invadindo o banheiro dos outros
sem permissão! Já sei! Você é um ladrão. Um ladrão que entra nas casas dos
outros pela privada para roubar. Pois bem feito que ficou entalado aí.
- Moça... Senhorita...Você ainda não percebeu a gravidade da
coisa? Eu cai em um bueiro! Um bueiro no meio da rua e vim parar aqui na sua
privada! Isso é impossível de acontecer!
- Pensa que me engana não é seu ladrão tarado! Pois bem,
você vai sair daí por onde entrou!
Luciana aciona a
descarga e empurra o sujeito vaso a dentro com a vassourinha do banheiro.
- Para com isso! Para! A senhora ta me machucando! Ai!
Com muito esforço e muitos
litros de água desperdiçados a cabeça desce descarga a baixo.
Luciana questiona se
havia mesmo um corpo ligado a aquela cabeça se perguntando sobre o que havia ocorrido
ali. Na quarta ela contaria para o seu terapeuta. Mas de uma coisa ela tinha
certeza. Ninguém fala mal da limpeza do banheiro dela, ah isso não.
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