Sexta feira começo de noite e eu no ônibus cheio.
Pelo menos eu estou
sentado, pensei.
Quando uma moça entra
com uma caixa de esfirras nas mãos e senta alguns bancos à frente.
Seria só mais uma
passageira não fossem as esfirras.
Volta e meia é a mesma coisa, eu com fome e entra um com
esfirra no busão, devia ser proibido entra com esfirra no ônibus. Sente só esse
cheiro impestiando tudo.
Da vontade de comprar
também só para ter o prazer de fazer isso.
Por pura maldade.
Todo mundo com fome e
da-lhe eu entrando no ônibus com uma caixinha de esfirra na mão.
Olha que coisa linda!
Todos famintos
querendo chegar em casa rápido, pensando na comida da mulher ou que vão ter que
preparar a própria. Salivando com água na boca e eu de boa com minha caixinha
de esfirras exalando o cheiro da fome no ar.
E digo mais.
Não vou nem esperar
chegar em casa.
Vou comer no busão
mesmo!
Só para ver os
olhares compridos dos outros com inveja!
E que essa moça
esteja no ônibus nesse dia, só para saber o que eu estou passando agora!
Eu faço, ah eu faço!
Segunda de manhã, eu
saio de casa.
- Putz, pisei na merda...Tsc! Caralho!
Volto para dentro de
casa para trocar de tênis.
A noite chegando em
casa encontro a vizinha passeando com o cachorro. O criminoso volta a cena do
crime, e ainda estava cometendo o mesmo delito de novo.
- Poxa, mas bem no meu portão? – Reclamo.
- Desculpa moço, é que ele só faz na rua sabe.
- Tudo bem, mas você podia andar com um saquinho pra
recolher o cocô não?
Ela dá um sorriso
amarelo, se desculpa de novo e vai para a casa dela.
Na manhã seguinte,
saio de casa e uma visita me aguarda no portão.
Outros montinhos de
cocô do cachorro da vizinha.
Isso é folga demais.
Agora só falta ela
tocar a campainha para eu ir recolher.
Continuei irritado,
mas relevei.
- Nossa que calçada porca. Imagina dentro de casa.
Dizia mãe da dona do
cachorro para outra vizinha da laje ao lado.
Ouvir isso foi a gota
da água.
Eu estava atrasado e
não tinha dado a minha cagada matinal, resolvi usar isso a meu favor.
Abaixei as calças, agachei
na calçada da vizinha e o resto você já pode imaginar.
E depois ainda toquei
a campainha deixando um bilhetinho.
“Desculpa, mas é que
eu só faço na rua sabe”.
Nunca mais encontrei
cocô na minha calçada.
Cocô não, mas coisa
pior sim.
Chegando em casa um
carro com som alto incomodava a todos na rua.
E o bonito ainda
estava estacionado bem na minha calçada.
Olhei feio para as
pessoas em volta do carro que me ignoraram.
Resolvi que não ia me
irritar com isso.
Abri o portão e entrei
em casa com toda a calma e tranqüilidade do mundo.
E vocês nem sabem o
que aconteceu?
Minha geladeira caiu
da laje de casa bem cima do carro.
Que chateação...
Amanhã vou ter que comprar uma nova.
E o pior...
É que não matou
ninguém.
Sabemos que eu não
faria isso realmente, mas que dá uma vontade. Tem hora que dá!
Nenhum comentário:
Postar um comentário