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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Valdir Pereira e a loira do banheiro.

Começou com um banheiro sujo.
 As bactérias se proliferavam para todos os lados.
 Dentro dos ralos, privadas, lixeirinhos e até nas frestas dos azulejos.
- Aí que nojo de banheiro! – Ela gritou agoniada – Mas eu to tão apertada que vai aqui mesmo!
- Ahhhh! Que alivio...
...
- Agora só um retoque no batom e opa...Droga, borrou...
 Ela limpou com um lencinho que trazia na bolsa.
- Pronto.
 Ploft! Jogou o lencinho amassado na lata do lixo.
 Mais uma hora se passa sem ninguém limpar o banheiro da escola.
 As bactérias chegam ao seu auge evolutivo, adquirem consciência!
 Do lixeirinho que transborda de papel higiênico o lencinho cai no chão.
 Era a informação que as bactérias precisavam DNA humano!
...
- Eiita cherinho de bosta! – Disse Sérgio da limpeza - Ta mais que na hora de dar um trato nessa bichera aqui.
 Encheu o balde e enquanto colocava desinfetante na água ela surge se erguendo do chão.
 Loira, lábios carnudos, seios volumosos.
- Professora Gisele? Desculpa, mas eu to limpando aqui.
- Não tem problema não gostoso, a sujeira me deixa ainda mais a vontade.
- Como é que é?
- Eu quero você e quero agora.
- Eita lasquera. Então venha cá venha.
 Se agarraram e se beijaram.
 Porém o homem em vez de cara de satisfação fez cara de espanto e depois nojo.
 Empurrou a loira e cuspiu uma barata de sua boca. Uma gorfada e ele vomitou baratas!
- COf! Cof! Blééérg! Sua...Cof!...Sua puta! Que merda é essa?! Bléééérg!
- Hahahaha baratas humano, esse foi o primeiro ser para o qual conseguimos evoluir.
- É a loira do banheiro! - Disse uma voz que vinha de dentro de um dos sanitários.
- Bléééérg! – O faxineiro continuava vomitando baratas – Me ajude! Por favor!
- Calma aí que a coisa aqui ta foda! – Respondeu a voz.
 A loira ria e se vangloriava.
- Agora temos DNA humano! Assim podemos nos camuflar entre vocês até que nosso DNA nos faça evoluir para uma coisa melhor e mais poderosa que sua espécie! E com nossa rápida capacidade de reprodução, seremos a raça dominante!
- Só se eu deixar bicho nojento. – Gritou Valdir Pereira saltando de dentro de um sanitário.
 Pegou o balde com desinfetante e despejou em cima da loira do banheiro, que no mesmo instante começou a derreter e se deformar exalando um fedor de esgoto misturado com aroma de pinho no ar.
- Aaaaaaa!
- Vamos saia daqui – Disse Valdir Pereira arrastando o faxineiro para fora.
 A loira do banheiro, sendo reduzida a cada instante a uma massa podre e deformada se arrastava pelo chão em direção a porta.
 Ainda bem que nosso herói nunca está despreparado para situações como essa.
- Vai uma caninha coisa nojenta?
 Nisso ele tira sua latinha de “leitinho do capeta” do bolso toma um trago e depois espirra a cachaça para todos os lados.
 Saindo pela porta acende o fósforo.
Vuuuush!
 O banheiro agora está em chamas.
- Essa técnica é conhecida como vassoura de fogo! - Se vangloriou Valdir Pereira.
- E você seu inútil! O que custa fazer a porcaria do seu trabalho direito?
- Mas eu faço doutor! Cof! Cof! Acontece que esse aluno nojento mija e caga tudo fora do vaso. E não é só aqui não... Vai em qualquer lugar com banheiro público que as pessoa é o mesmo nojo! Cof! Cof! Blééérg! Pitu! – Cuspiu uma barata.
- Tem razão xará, aqui, tome isso.
- Leitinho do capeta?
- Quer jeito melhor de limpar esse seu estomago cheio de bichera?
 E os dois ficaram sentados no corredor apreciando um trago enquanto o banheiro se consumia em chamas dando fim a existência da loira do banheiro.

 Mas não a imundice humana - Pensou Valdir Pereira.

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